Brasil envia defesa aos EUA para tentar barrar tarifa de 25% sobre produtos nacionais
O governo brasileiro encaminhou uma resposta formal aos Estados Unidos para contestar uma investigação americana que acusa o país de praticar comércio desleal. O objetivo do Ministério das Relações Exteriores é reverter a proposta de Washington de aplicar uma tarifa linear de 25% sobre as exportações brasileiras, tendo enviado a argumentação técnica diretamente ao Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
No âmbito do comércio digital e do Pix, o Brasil rebateu a acusação de que o sistema favoreceria o mercado local em detrimento de operadoras americanas, esclarecendo que se trata de uma infraestrutura aberta e sem condições discriminatórias, além de lembrar que o próprio Federal Reserve criou um modelo semelhante, o FedNow. Em relação às críticas sobre ordens judiciais sigilosas para remoção de conteúdo em redes sociais, a defesa apontou que as medidas ocorrem dentro do devido processo legal para apurar crimes e que a confidencialidade está prevista na legislação nacional, aplicando-se igualmente a empresas locais e estrangeiras.
Sobre as queixas envolvendo tarifas e mercado, o governo brasileiro defendeu que os acordos comerciais via Mercosul são lícitos perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) e que o fim da isenção tarifária do etanol cumpre as regras internacionais, incidindo de forma igualitária sobre qualquer país sem acordo específico. Quanto aos questionamentos sobre o ritmo das ações anticorrupção e a suposta lentidão na análise de patentes biofarmacêuticas pelo INPI, a resposta ressaltou que Washington desconsidera relatórios elogiosos da OCDE e da OEA, além de comprovar que o INPI reduziu drasticamente o atraso nos últimos anos.
Por fim, contestando a alegação de falhas no combate ao desmatamento ilegal, o Brasil apresentou dados que comprovam um aumento de 87,6% no orçamento de fiscalização ambiental entre 2022 e 2026. Como resultado prático desse esforço contínuo contra crimes ecológicos, a defesa destacou a queda acumulada de 50% no desmatamento da Amazônia e de 32,3% no Cerrado desde 2022.