Bará do Mercado Público de Porto Alegre: De Símbolo de Fé a Patrimônio Histórico-Cultural
O orixá, que representa a abertura de caminhos e a prosperidade, é o coração energético do Mercado e foi recentemente reconhecido pela Câmara de Vereadores.
O Bará do Mercado Público de Porto Alegre consolidou seu papel na história da cidade ao ser tombado como Patrimônio Histórico-Cultural pela Câmara de Vereadores. A decisão oficializa a importância deste marco central, que há gerações é reverenciado como um poderoso símbolo de fé, resistência e ancestralidade africana.
Localizado na encruzilhada dos quatro corredores centrais do prédio centenário, o Bará é o orixá que, nas religiões de matriz africana, governa a abertura de caminhos, o movimento e a prosperidade. Sua presença neste ponto nevrálgico de comércio é fundamental, representando a garantia de fartura e o bom fluxo para todos que frequentam o Mercado.
A relevância do local está centrada na crença de que um assentamento (ocutá) está fixado sob o mosaico de pedras e bronze, protegendo o Mercado. A origem deste rito remonta a duas versões principais: a primeira atribui o assentamento aos africanos escravizados durante a construção do edifício, e a segunda, a Príncipe Custódio de Xapanã, uma figura lendária que viveu na capital gaúcha no início do século XX e é creditado por ter feito outros assentamentos importantes na cidade.
Embora não haja evidências físicas do assentamento em escavações recentes, o historiador Pedro Rubens Vargas atesta que a reverência ao Bará no centro do Mercado remonta ao século XIX. Dessa tradição deriva o costume popular de jogar moedas no local, um gesto de oferenda que simboliza o desejo de prosperidade e o reconhecimento do Bará como a fonte do axé (energia vital) que emana do coração da cidade.
O Bará não é apenas um ponto de culto, mas também um marco histórico. Ele integra o Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre, um circuito que celebra a memória e a contribuição africana. O reconhecimento do Bará como patrimônio reforça a importância das religiões de matriz africana para a formação social e cultural de Porto Alegre, consolidando-o como um verdadeiro coração energético e histórico da Capital.
Imagem: Reprodução/CMPA