CRISE NO PSOL: Boulos articula ida ao PT e partido pode perder quase um terço dos deputados federais
PSOL pode perder quase um terço de sua bancada na Câmara para o PT em movimento ligado a Guilherme Boulos
O PSOL enfrenta uma disputa interna que pode resultar na saída de pelo menos quatro deputados federais eleitos em 2026. O grupo, ligado ao ministro Guilherme Boulos, avalia uma possível migração para o Partido dos Trabalhadores (PT), o que reduziria a bancada do PSOL de 14 para 10 parlamentares.
Entre os nomes envolvidos nas articulações estão Erika Hilton, uma das deputadas mais votadas do Brasil, e Natália Boulos, esposa do ministro. Ambas integram a corrente Revolução Solidária, que mantém divergências com a direção nacional do partido.
O conflito ganhou força após a rejeição, no início do ano, de uma proposta para integrar o PSOL à federação partidária formada por PT, PCdoB e PV. O grupo de Boulos defendia a união como estratégia para fortalecer a esquerda nas eleições e garantir o cumprimento da cláusula de desempenho.
As divergências também envolvem a distribuição de recursos eleitorais. Erika Hilton criticou publicamente decisões da direção partidária, afirmando que houve concentração de recursos em candidaturas com menor potencial eleitoral.
Apesar das discussões, o PSOL conseguiu superar a cláusula de desempenho após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 27 de outubro, mantendo o acesso aos recursos do fundo partidário e à propaganda eleitoral.
A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, afirmou que ainda não recebeu uma comunicação definitiva sobre as possíveis saídas e que pretende dialogar com os parlamentares para preservar a unidade da legenda.
Para mudar de partido sem risco de perda do mandato, os deputados poderão precisar de autorização formal do PSOL. Até o momento, nenhuma saída foi oficialmente confirmada, e as negociações seguem em aberto.
📸 Agência Senado