El Niño pode aumentar o preço de alimentos em até 20%; economistas prevêem impacto na inflação
Possível impacto do El Niño na inflação de alimentos
O fenômeno climático El Niño pode provocar aumentos expressivos nos preços dos alimentos no Brasil ao longo dos próximos meses, afetando o bolso dos consumidores. A constatação é de um estudo conduzido por pesquisadores do banco Rabobank, especializado no setor do agronegócio.
A partir do desenvolvimento de um modelo matemático que cruzou dados históricos do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) com o Índice Oceânico Niño (ONI) — usado para classificar a intensidade do fenômeno —, a projeção é que a inflação no setor alcance o pico cerca de seis meses após os primeiros choques de oferta.
Variações por categoria
A pesquisa demonstra que o grau de encarecimento e a velocidade do impacto nos preços diferem de acordo com as etapas de produção. Em um cenário de forte intensidade do El Niño, previsto para ocorrer até o fim do ano, os reajustes esperados são:
Alimentos In Natura (carnes, legumes, verduras e hortaliças): São os produtos mais sensíveis às mudanças climáticas de temperatura e precipitação. Por terem ciclos produtivos curtos, perdas nas lavouras impactam rapidamente a oferta nas prateleiras dos supermercados. Nesta categoria, os preços poderiam disparar cerca de 19,9% em um evento severo.
Alimentos Semielaborados (arroz, feijão, grãos): Sofrem encarecimento de forma mais gradual, uma vez que o aumento decorre principalmente da elevação dos custos dos insumos agropecuários. Em um cenário forte, estima-se um aumento em torno de 3,6%.
Alimentos Industrializados: Como o preço final inclui outros fatores (como processamento, custos com embalagem, logística, transporte e comercialização), o repasse aos consumidores tende a ser diluído e mais ameno. A previsão de alta é de 1,4% nesta modalidade caso as anomalias climáticas se agravem.
