POPULAÇÃO DE CAPIVARAS QUADRUPLICA EM DOIS ANOS E MEIO E PREFEITURA ESTUDA PLANO DE MANEJO EM PORTO ALEGRE
A presença de capivaras tem se tornado cada vez mais comum e abrangente na orla de Porto Alegre. Desde os eventos climáticos de 2024, o número desses roedores na capital gaúcha saltou de sete para aproximadamente 28, segundo levantamento municipal. Inicialmente concentrados apenas na foz do Arroio Dilúvio, os animais agora também são avistados mais ao sul, em locais como a Vila Assunção, atraindo a curiosidade de quem transita pela região.
Para acompanhar e estabilizar esse crescimento, a prefeitura busca autorização do Ibama para implementar um plano de manejo reprodutivo. A estratégia, detalhada pela vice-prefeita Betina Worm, envolve a realização de vasectomia e laqueadura nos animais. O objetivo do procedimento é evitar novas reproduções sem alterar a hierarquia e a dominância territorial da colônia. O poder público também avalia a possibilidade de realocar os animais para áreas mais distantes de vias com grande fluxo de veículos e pessoas, visando minimizar riscos de acidentes.
No entanto, a eficácia desse tipo de intervenção divide opiniões no meio acadêmico. O professor da UFRGS e especialista em ecologia, Demétrio Luis Guadagnin, argumenta que a esterilização pontual pode ser insuficiente, já que as populações são dinâmicas e há constante entrada e saída de indivíduos. O pesquisador destaca que a expansão das capivaras reflete a perda de seus habitats originais, aliada a uma mudança de comportamento: com a sociedade moderna mais tolerante à presença da fauna, os animais têm perdido o medo natural do ser humano e se adaptado a novos ambientes urbanos.
Com as informações Correio do Povo