Professora do Rio Grande do Sul cria teste que detecta tuberculose em 1 hora e pode revolucionar o SUS
INOVAÇÃO NACIONAL: Uma nova tecnologia desenvolvida no Rio Grande do Sul, dentro da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tem o potencial de transformar o diagnóstico da tuberculose na rede pública brasileira. Liderado pela professora Marli Matiko Anraku de Campos, o projeto foi um dos destaques do 17º Prêmio Ciência, Tecnologia e Inovação para o SUS.

Como funciona a nova tecnologia?
O Teste Molecular Rápido utiliza uma amostra de escarro do paciente combinada com reagentes desenvolvidos no Brasil. Após ser aquecida em um equipamento simples (termobloco), a amostra reage em cerca de 60 minutos. A leitura do resultado é visual, feita através de um sistema de cores: a coloração rosa indica que o paciente não tem a bactéria, enquanto tons amarelados ou alaranjados confirmam a infecção.
Impacto no sistema de saúde
Atualmente, a janela entre os primeiros sintomas e o início da medicação pode chegar a 11 semanas. Além de reduzir drasticamente esse tempo de espera, o novo método apresenta vantagens econômicas e estruturais. Ao contrário dos exames convencionais (PCR) – que dependem de matéria-prima importada e laboratórios de alta complexidade -, a solução da UFSM é mais acessível e não exige infraestrutura avançada
A equipe responsável já garantiu a patente da invenção. O próximo passo é simplificar ainda mais o protótipo para permitir a produção em escala industrial, com o objetivo de levar diagnósticos rápidos para regiões remotas e de difícil acesso.
Contexto da doença no Brasil:
A tuberculose é uma doença respiratória grave transmitida pelo ar. Apenas em 2023, o Ministério da Saúde contabilizou 39,8 casos para cada 100 mil habitantes. O quadro clínico geralmente envolve tosse por mais de três semanas, suores noturnos, febre e emagrecimento. A vacina BCG segue como a principal barreira de prevenção, e o tratamento completo, que dura em média seis meses, é fornecido gratuitamente pelo SUS.